--- por Flávia Hargreaves.
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| imagem criada por IA. |
Estamos nos acostumando
a responder uma pergunta curiosa nos aplicativos e sites que acessamos: “PROVE
QUE VOCÊ NÃO É UM ROBÔ”, o famoso CAPTCHA. Fazemos isso de forma tão automática, clicando em imagens de semáforos ou hidrantes, que raramente paramos para
perceber a ironia: muitas vezes, respondemos que não somos máquinas agindo
exatamente como uma.
Como arteterapeuta,
artista e professora, esse questionamento digital me despertou um espanto que
quero compartilhar com vocês: quando deixamos de nos surpreender com o fato de
uma máquina precisar validar nossa humanidade?
Automático x
Simbólico
A vida humana é
essencialmente simbólica e subjetiva. A Arteterapia ajuda a trilhar este
caminho, oferecendo técnicas para o autoconhecimento e o fortalecimento pessoal
através da expressão artística, conduzida por um profissional com este
objetivo. Viver no automático, cumprir tarefas burocráticas e deixar de
observar a paisagem interna é, de certa forma, permitir que o nosso "modo
máquina" assuma o controle do nosso dia a dia. A Arteterapia atua
justamente no caminho oposto: ela exige uma observação apurada e uma presença
real que nenhum algoritmo consegue simular.
O "Bug"
que nos torna humanos
Na tecnologia, um erro é um "bug" que deve ser corrigido ou deletado. Na Arte e na Arteterapia, o erro é uma oportunidade de transformação, de tomada de consciência e poeticamente tocar o invisível.
Algumas técnicas
artísticas nos oferecem um rico laboratório de erros. A aquarela é uma delas:
sua fluidez muitas vezes nos escapa ao controle. Recentemente, em uma aula,
exploramos essa qualidade da tinta que escorre para o lado "errado",
se mistura inadvertidamente com outra cor ou se “contamina” com tudo o que
toca.
Essa mancha imprevista
traz resultados emocionantes e surpreendentes. O erro não é uma falha no
sistema; é o rastro da nossa humanidade, da nossa capacidade de fazer, desfazer
e ressignificar o caminho. A Arteterapia é um lugar seguro para experimentações
de si mesmo, onde transformamos supostos erros em novos acertos e fortalecemos
nossa identidade.
O Contra-CAPTCHA: Um
exercício de presença
Para as profissionais das áreas de saúde e educação, recuperar essa sensibilidade é vital para auxiliar seus clientes e alunos a também encontrarem sentido e significado em suas trajetórias.
Convido você a fazer um
exercício mental agora. Em vez de selecionar figurinhas em uma tela, tente
responder à demanda “Prove que você não é um robô” com algo que só você possui:
·
Uma
lembrança olfativa da infância;
·
A
sensação do vento na pele neste momento;
·
Um
sentimento complexo que não cabe em palavras;
·
Um
erro recente que te ensinou algo valioso;
·
Um
gosto, um toque específico...
Relaxe, sinta o peso do
corpo na cadeira, os pés tocando o chão. Feche os olhos e responda: O que é
essencialmente humano para você? Deixe a resposta vir espontaneamente, fique
com a primeira ideia, sensação ou memória que surgir.
Aproveite a
oportunidade para materializar isso: faça um desenho, uma pintura ou escreva
uma poesia. Deixe a sua criatividade fluir pelas suas mãos.
Conclusão
Vou finalizar esta breve reflexão desejando que vocês não percam o espanto. Cultivem o fazer artístico como caminho de conexão com a sensibilidade, contrapondo-se ao modo automático em que muitas vezes somos atirados. Permita-se a imperfeição humana e, acima de tudo, esteja presente na sua própria vida.
_______________ Este texto tem como base o programa Papo de Terça 168, live realizada no dia 12/05/26 nos canais do @arteparaterapia no Instagram e YouTube.
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Obrigada.
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Em 2021 criou o projeto Arte para Terapia oferecendo cursos online de História da Arte para Terapia.
Membro fundadora do coletivo Arteterapeutas do Rio.


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