---por Flávia Hargreaves
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| Banco de imagem Canva. |
Este é o terceiro texto da nossa série "ARTETERAPIA NÃO É". Se nas últimas semanas refletimos sobre a fragilidade de definir nossa área por negação e, em seguida, acolhemos o valor do artesanato, hoje abordamos a fronteira mais vivida e discutida por todos nós: a distinção entre Arteterapia e Aula de Arte.
Tenho certeza de que você já se viu na
situação de ter que explicar que a sessão de arteterapia não é uma aula, e não
é mesmo! Neste breve texto convido você a refletir sobre este tema com olhar
renovado e seguir comigo no movimento de substituir o “NÃO” pelo “SIM” ao que o
ensino da Arte nos oferece. Para que possamos acolher, precisamos primeiro
delimitar o conflito.
O Conflito
Dois pontos fundamentais que marcam a
diferença entre as duas práticas são a qualificação do profissional que
conduz o trabalho e o objetivo do mesmo. Outro ponto a ser levado em
consideração é o ambiente.
- Um
arte-educador, mesmo com formação em Arteterapia, não pode transformar
a sala de aula em um grupo terapêutico. Mas poderá identificar o
benefício que a Arteterapia poderia oferecer para algum aluno e fazer o
encaminhamento seguindo os procedimentos da instituição.
- As aulas
de Arte na escola seguem o currículo da disciplina e têm o objetivo
voltado para a aprendizagem e desenvolvimento da sensibilidade e
habilidades, seja com o estudo da História da Arte ou das técnicas
artísticas.
- Fora da escola, em cursos e ateliês livres, a busca pode ser o aprendizado técnico e o desenvolvimento de habilidades. Desejam aprender a pintar um retrato, flores, paisagens... ou aprender a usar aquarela, aplicar a perspectiva no desenho. Para algumas pessoas será um hobby e para outras o foco é se tornar artista profissional.
Mas seja em terapia ou em aula, a Arte
revela subjetividades e dores pessoais. Relatos e emoções podem vir à tona
porque a Arte tem esse poder. Mas o ponto importante aqui é: o estudante não
está em terapia na sala de aula ou ateliê. Não se pode transformar um
espaço pedagógico ou um hobby em um setting terapêutico e vice-versa.
Na Arteterapia o foco está na terapia
e será conduzido por um arteterapeuta com formação específica na área.
Trabalhamos com processos individuais ou grupos terapêuticos, abrindo um campo
para a expressão simbólica e para a elaboração de conteúdos psíquicos.
A relação entre terapeuta/cliente é muito diferente da relação professor/aluno.
O setting é um espaço de acolhimento emocional, voltado para o autoconhecimento
e a promoção de saúde.
O Risco
O Arteterapeuta com pouca experiência pode
cair facilmente no “modo professor", especialmente se esta for a
sua profissão de origem. Ele começa a ensinar a técnica para preencher o
silêncio, para evitar a frustração do cliente ou por não saber como sustentar o
caos emocional que emerge.
Mas será que é sempre PROIBIDO ensinar uma
técnica? Afinal, o conhecimento técnico atrapalha ou facilita a autoexpressão
na terapia?
É um erro pensar que o arteterapeuta não
precisa ter conhecimento técnico ou que compartilhá-lo é sempre um erro. O
conhecimento é uma ferramenta poderosa quando usada com a intenção terapêutica
correta!
A técnica como apoio que liberta
Muitas vezes, o cliente se sente bloqueado
não pela emoção, mas pela sensação de impotência diante dos materiais expressivos e pela frustração recorrente diante do resultado. Quer fazer algo e não sabe
como. Por exemplo: quer esfumaçar um trabalho que fez com pastel oleoso. O
terapeuta pode oferecer óleo mineral para dissolver o pastel e facilitar o
caminho ou mudar o material oferecendo pastel seco para que experimente esfumaçar
pelo atrito.
Para abrir o campo para experimentação dos
materiais será preciso saber o que oferecer e explicar o funcionamento
básico daquele material. A frustração com o resultado por não compreender o
material não vai necessariamente facilitar a expressão espontânea. Por isso a experiência
artística é tão importante para o arteterapeuta, o que não significa que
precise ser um expert em tudo.
Um pequeno conhecimento sobre o uso dos
materiais, oferecido na medida certa e com o foco no processo e não no
produto, pode ser a chave que liberta a expressão que estava presa
desnecessariamente na frustração.
Repertório Artístico do Arteterapeuta
O conhecimento da Arte e das suas técnicas,
bem como o repertório artístico por parte do arteterapeuta vai ajudar a:
- Ampliar
o leque de intervenções:
Saber o que oferecer (e o que não oferecer) para o cliente naquele momento
específico, garantindo que o material vá ao encontro da necessidade
terapêutica.
- Ganhar flexibilidade: Quando o profissional se dedica ao seu exercício artístico e ao estudo da arte, você ganha segurança e flexibilidade no uso dos materiais e abre novas perspectivas no entendimento das imagens criadas na terapia, identificando o processo artístico no processo terapêutico.
✏️ Proposta de exercício para reflexão
Para entrar em contato com este tema na sua prática profissional, convido você a escrever em seu caderno
sobre:
- Os
momentos em que você viveu dilemas sobre poder ou não oferecer ajuda
técnica ao seu cliente. Liste os Prós e Contras dessa intervenção. O
que você decidiu e qual foi o resultado?
- Ou alguma situação em que alguém se referiu ao seu trabalho como arteterapeuta como "aula de arte". Como você reagiu e qual foi a sua explicação?
E você, o que acha? Como você usa o
conhecimento da Arte sem virar professor nas suas sessões? Compartilhe sua
experiência nos comentários!
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Conteúdo desta série foi produzido com ajuda IA a partir das minhas lives disponiveis nos links abaixo:
Arteterapia não é
https://www.youtube.com/watch?v=HF0zzjwyXSw&t=519s
Arteterapia e Artesanato
https://www.youtube.com/watch?v=kqvchgQwfcw
Arteterapia e Aula de Arte
https://youtube.com/live/0lz1_z1zKP0
Arteterapia e Livros de Colorir
https://youtube.com/live/mUjDsmiPooU
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Quero muito saber a sua opinião!
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Caso tenha dificuldade em publicar seu comentário neste blog você poderá encaminhá-lo para o email: arteparaterapia@gmail.com que ele será publicado.
Em 2021 criou o projeto Arte para Terapia oferecendo cursos online de História da Arte para Terapia.
Membro fundadora do coletivo Arteterapeutas do Rio.


Obrigada Flávia! Me chamo Lorena e aprendo muito com você. Essas reflexões foram muito importantes para mim, pois me enquadro perfeitamente nas observações que você pontuou aqui, sou professora de Arte e Arteterapeuta com ambas as formações, e, ainda, recém formada na Arteterapia. O trabalho em sala de aula ocupa a maior parte do meu tempo profissional, porém nunca deixo de estudar e aprender. A linha aqui é tênue, como professora você acaba querendo aplicar conhecimentos aprendidos na Arteterapia ou buscar diferenças e semelhanças, mas é preciso sempre estar atento e aprender com quem sabe mais que nós. São funções profissionais que se abraçam, mas cada um tempo seu espaço e objetivos, e isso ficou muito claro nesse estudo aqui. Gratidão!
ResponderExcluirObrigada pelo seu comentário Lorena. Que bom saber que o texto te ajudou na sua reflexão sobre suas 2 profissões. Talvez este texto também te ajude: https://arteparaterapia.blogspot.com/2021/10/Terapeuta%20Professora%20e%20Artista.html
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